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05/09/2010 - DIÁRIO DE NATAL ONLINE

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Nas entrelinhas



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Marquetagem amplificada

O eleitor está satisfeito com Lula. Dilma e equipe têm, assim, várias possibilidades de mostrar exemplos positivos do governo. Poderiam evitar a apresentação de ações federais incompletas ou exageradas

Tá demais, tá demais, a marquetagem tá demais. Os assessores da campanha de Dilma Rousseff entram no último mês antes do primeiro turno em festa. Os programas eleitorais na televisão consolidaram a petista como vencedora em 3 de outubro, pelo menos é o que apontam todas as bolsas de apostas - as de políticos, jornalistas e até dos personagens, digamos, fundamentais numa disputa eleitoral, os eleitores.

Para os governistas, não foi preciso quebrar muito a cabeça para produzir peças eficientes na promoção de Dilma. Quem tem Luiz Inácio Lula da Silva, tem votos, ou pelo menos está muito perto deles. Assim, as imagens são coloridas, os textos são leves, há sorrisos e alegria. Mas, como mostrou o Correio Braziliense na última quinta, tem também algo um tanto falso. Melhor: marquetagens amplificadas para uma campanha garantida, pelo menos até agora.

Aos fatos, pois. Com o título Na televisão é mais bonito, a reportagem mostrou três momentos distintos de programas eleitorais de Dilma: hospital citado na televisão pela petista funciona de forma precária, creche modelo não tem incentivo federal e vídeo feito na Universidade de Brasília (UNB) utiliza locação, a biblioteca, vetada a alunos. Os repórteres Alana Rizzo, Carolina Khodr e Lúcio Vaz descortinaram o que há de exagero na marquetagem petista.

Se o trabalho de marqueteiros é construir o discurso ou até mesmo um candidato, cabe aos repórteres revelar como tal produção foi feita e quais os custos. É uma das funções do jornalismo durante uma campanha eleitoral. Uma campanha, diga-se, preparada em cima do puro marketing, distante das próprias plataformas de governo, que, no caso de Dilma, são baseadas no continuísmo do governo Lula. Assim, as ações eleitorais da petista deveriam ser fiéis aos fatos.

O caso do Hospital Estadual da Criança em Feira de Santana (BA) é o maismarcante. O prédio foi inaugurado a toque de caixa e, segundo a direção da própria unidade de saúde, apenas 27 dos leitos de Pronto Atendimento estão preparados para receber pacientes. Os centros cirúrgicos ainda não podem ser usados e o tomógrafo não chegou. Na edição do PT, entretanto, Dilma anuncia o hospital como pronto: "Eu acho que hospital tinha de ser dessa qualidade aqui."

Em outro programa, a ex-ministra petista mostra uma creche modelo. É para ser igual à que pretende apoiar durante o governo. A creche Dona Diva, onde foram feitas as filmagens, porém, não recebe um tostão dos cofres públicos. É mantida por voluntários. Segundo o Correio, há dias em que sobra pouco mais do que um quilo de açúcar na despensa. Dilma passou duas horas gravando cenas do programa na creche, localizada no Núcleo Rural Córrego do Palha, no Distrito Federal. Por último, os marqueteiros de Dilma gravaram imagens dentro da biblioteca da UNB, o que provocou descontentamento de alunos. Não à toa. O prédio está fechado há seis meses por causa da greve de servidores.

O eleitor está satisfeito com Lula, como mostram as pesquisas. A aprovação do presidente bate todos os recordes. Dilma e equipe têm, assim, várias possibilidades de mostrar exemplos positivos do governo. Poderiam evitar ações federais incompletas ou exageradas.

Outra coisa

O estica e puxa da disputa de cargos no governo Dilma rende um estudo de caso sobre o comportamento da imprensa. A depender do grupo governista, cada repórter aposta em determinado personagem para ocupar um cargo na Esplanada. De resto, a única coisa certa é o número de servidores - comissionados ou efetivos - que continuarão a chaleirar o chefe. Nada de novo na república dos bajuladores, pouco preocupados com o funcionalismo, aquele que não deveria ter bandeiras partidárias.

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Atenção
A reportagem ao lado faz parte do clipping da Secretaria de Comunicação. Não é de autoria da UnB Agência, sendo de responsabilidade exclusiva do veículo em questão.